sexta-feira, 27 de março de 2009

Podre Maçãzinha...

Como é que pode algumas coisas serem tão diferentes do que aparentam ser?!
Imagina uma maçã, que por fora é linda, vermelhinha, perfumada, brilhante, grande. Imaginou? O problema dessa fruta aparentemente frágil e doce, é que quando você a toca, ela te espeta, com minúsculos espinhos que a cobre por inteiro e mesmo que você insista em segurá-la e mordê-la, assim que o faz, a decepção é ainda maior. A maçã está totalmente tomada por vermes e preta por dentro, fazendo seu sabor ser intragável e exalando um odor insuportável.

Infelizmente algumas pessoas são assim, e muitas vezes somos obrigados, mesmo que seja por pouco tempo, a conviver com elas. O que mais incomoda é saber que essas pessoas sabem que são assim e não fazem a menor questão de mudar; na verdade conseguem se camuflar como a maçã por muito tempo e para muitas outras pessoas. Penso eu que isso acontece por total falta de auto estima, amor próprio e senso do ridículo a que se expõem quando são descobertas. Existem pessoas que percebem esse tipo de comportamento logo de cara e se afastam rapidamente. Mas há outras pessoas que mesmo sabendo desse comportamento, insistem em continuar próximos tentando fazer com que as maçãs percebam que estão podres e se recuperem. Esse processo de tentativa de ajuda se chama amizade.

As maçãs costumam agir da seguinte forma: se há interesse em alguma coisa, ela logo se aproxima de quem a tem, ou de alguém que conheça quem a tem. Depois da aproximação, se passando por uma pessoa interessante, divertida, gentil e engraçada, começa a mostrar uma delicadeza e fragilidade - como se precisasse de colo o tempo todo - falsa, é claro. E assim segue até conseguir a tal coisa. E se há interesse em alguém, então a maçã tende a se aproximar de amigos do alvo. Conseguido isso, vai ao ataque agindo semelhantemente ao primeiro caso. Como a casca da maçã é muito bonita e perfeita, é comum que ela consiga o que quer.
Mas felizmente o alvo decide morder a maçã que acaba revelando a sua verdadeira essência falsa, sem caráter e podre. Então, o que acontece a partir daí? O alvo se afasta e a maçã começa o processo de vingança. Vai aos amigos e espalha seu veneno contra ele sem a mínima preocupação de perjudicar alguém. E, acreditem ou não, o veneno é tão poderoso que atinge até a quem não tinha nada a ver com a relação mal fadada; e atinge em cheio; o que acaba sendo bom, porque assim esa pessoa que não tinha nada a ver, mas que era amiga da maçã, se cansa de tentar ajudá-la e começa a seguir sua própria vida.
Podre maçãzinha! Mal sabe ela que muito mais pessoas que a conhecem sabem como ela realmente é. Sabem que sua doçura aparente usada como isca, um dia se azeda e não há como reverter essa situação. Portanto, se você é uma maçã desse tipo, te aconselho a mudar para o grupo de maçãs reais; lindas por fora e doces por dentro, ou pode ser jogada no lixo de vez pelas pessoas que um dia se sentiram bem ao seu lado. Pense nisso!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Nós

Solidão, palavra momentânea e eterna; se tenho medo de algo na vida, é dela.
Chega de repente me invadindo e me carrega pro fundo sei lá de onde,
mas que não consigo sair simplesmente.
Ultimamente tem sido a minha companhia mais frequente, me assustando,
fazendo chorar, querendo morrer pra fugir da sua presença cada vez mais
intensa e abrangente.
Dela eu posso dizer que tenho medo.

Fragmento de Gilda

Gilda é uma mulher de quase 30, solteira e nômade. Poderia eu ficar aqui por horas escrevendo sobre ela mas vou focar nos maiores desastres da sua vida; seus relacionamentos amorosos. Não que tenham sido muitos, mas que deixaram marcas em sua mente e coração.

A nossa protagonista de hoje sempre amou muito e profundamente. Amava a todos com muita facilidade e por isso sofria da mesma forma. Desde criança sofria por amor aos pais, irmãos, amigos... Gilda sofria porque não sentia ser correspondida nesse amor; podia até sê-lo, mas não era captado pela menina.

Foi daí que depois de crescida desistiu de acreditar no amor dos outros e mesmo sem ter a plena consciência do que estava acontecendo, criou uma espécie de casulo para se defender de uma possível decepção. Então ela idealizou o homem perfeito, pensando que este nunca existiria, o que a deixava de certa forma tranquila porque tinha certeza do não sofrimento. Mas em compensação, seu medo da solidão crescia cada vez mais.

Só que um certo dia de outubro de um ano qualquer, Gilda se deparou com a voz do homem com quem sonhou por boa parte de sua vida. E seguida da voz, a imagem do mesmo. Ela simplesmentre não conseguia entender ou acreditar que seu sonho havia virado realidade. De tão assustadora a situação ,Gilda tentou fugir do que seria inevitável; um romance. Começaram então a se encontrar e se conhecer, mas como para ela tudo o que começava bem tinha que ter um final rápido, lá se foi o amor de sua vida de volta para os braços de sua esposa. E, é claro, o coração da moça se trincou.

E Gilda, mais uma vez sozinha e decepcionada, voltou às suas idéias solitárias. A mocinha pensou nunca mais rever o seu grande amor, mas depois de um tempo passado, se reencontraram, e, mais uma vez não durou muito. Já trincado, o coração de Gilda terminou de se quebrar. Depois de tanta tristeza, ela decidiu nunca mais dar chance a outra pessoa, sem perceber que ela estava deixando de dar uma chance a si mesma. Até encontrou-se com outras pessoas, mas só por diversão; consciente de que nenhum deles se tornaria um romance de verdade, mesmo porque não conseguia esquecer o homem dos seus sonhos.

Passados vários meses, Gilda já não pensava tanto no seu amor, tendo a impressão de já não conhecê-lo mais. Aí é que vem o primeiro dilema de verdade da protagonista. Um dia desses, ela resolveu procurar o seu amor e foi recebida com carinho; mas já não sentia aquela confiança e esperança de que ficariam juntos de vez como sentia antes. E pra piorar, Gilda conhecera um outro. Eles tinham muitas afinidades e interesses comuns, além da atração física; o que para a moça é muito importante numa relação, mas nunca tiveram nada. Ela se sentia tão bem perto do outro, que seu coração que estava quebrado há muito tempo, começou a se recuperar. Mas ao mesmo tempo que queria uma aproximação maior, se lembrava do que havia se prometido tempos atrás; e o pior, começou a desenterrar o seu amor novamente.

Pobre Gilda. A moça continuou sofrendo por ter em sua cabeça a certeza de que não poderia se aproximar mais do outro porque eles tinham destinos diferentes a seguir, e nem do seu amor, pois ele a magoara várias vezes, mesmo sem ter a intenção. E por mais que ela tentasse relevar, a dúvida já estava enraizada em seu coração.

E a última notícia que tive de Gilda, semanas atrás, é que ela estava sozinha e triste na sua vidinha. Quando tiver mais noviadades, conto a vocês. Até!

Palavras viajando...

Filhos, ainda não os conheço
imaginei-os muitas vezes sim, confesso.
olhos, risos, cabelos, tristezas, alegrias, dores,
amores, vidas, rostos, gestos, balbucios, palavras,
idas, vindas, nomes...
seres ainda não vindos mas já tão benvindos.
será que um dia me serão matéria,
abraçáveis, brigáveis, admiráveis?
porque já é certo que amáveis o são há muito
dentro do meu coração.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pra Ela


Começo o texto de hoje já dizendo: dela ou se gosta logo de cara ou é melhor desistir. E me explico ao longo do texto.
Desde pequena se achava diferente das coleguinhas de escola porque era a mais alta da turma e também a mais desengonçada. Não se achava grandes coisas nos tempos de menina. Mas em casa era muito feliz. Gostava de coisas simples como tomar banho de mangueira ou chuva com os irmãos, fazer carinho nos pés da mãe e ajudá-la a cuidar do jardim, deitar sobre a barriga do pai assistindo a televisão ou ficar até tarde da noite acordada na cama esperando ouvir o toc-toc dos sapatos dele chegando de viagem. Era a única menina da casa e gostava de brincar no quintal com as bonecas cavando a terra pra fazer piscininhas naturais pra elas ou passar horas desenhando. Gostava também de brincar com a turma da rua. Fez isso até quando pôde.
A menina entrou na adolescência. Época naturalmente complicada, mas pra ela as coisas pareciam mais difíceis. Começou a se isolar em casa, passava quase o dia inteiro trancada no quarto sem falar com ninguém e se achava cada vez mais a mais feia e burra da escola. Os pais não sabiam o que fazer, uma vez que nem ela conseguia explicar. Ela tinha medo de falar o que sentia e não ser levada a sério. Começou a guardar aquela angústia no peito, o que a fazia chorar por horas seguidas. Foi nessa época que a menina começou a escrever. Eram frases soltas de queixas ou até mesmo textos, mas escrevia para si mesma, guardando sempre as anotações.
Chegou um momento na vida da menina que nem ela tinha mais paciência pra tanta intolerância, falta de educação e desrespeito para com a família, amigos e ela própria. Então decidiu tentar mudar. Tinha altos e baixos nesse processo, mas continuava tentando porque sabia que as pessoas de quem gostava acabariam se afastando caso continuasse agindo mal.
A menina então virou mulher, ainda imatura e de temperamento muito forte. E nessa mudança brigou com o pai, que era até o momento o homem da sua vida, perdeu a avó, que era seu refúgio muitas vezes e entrou para a faculdade em outra cidade. Então começou a ter que se virar sozinha em muita coisa e começou a se perceber mais calma, gentil, generosa, companheira, paciente e amorosa, coisas que havia escondido debaixo de um casco há muito tempo.
E, como eu disse no início do texto, ou você gosta de cara ou não dessa mulher porque ela é a pessoa mais transparente que já conheci e, apesar de ter se descoberto uma pessoa mais afável, manteve seu gênio forte, o que me agrada. Pois graças a esse gênio, ela conseguiu “peneirar” as suas amizades e companhias, podendo contar nos dedos ou quase isso, quem vale à pena. São pessoas fortes como ela, e geniais que trazem à sua vida novos desafios e descobertas a cada novo encontro. Essa mulher não é do tipo que é gentil e agradável com todo mundo. Ela sabe que não precisa ser assim pra atrair quem a interessa seja qual for o âmbito. Isso que a torna interessante; essa arrogância e despeito aparentes, se transformam em 5 minutos de conversa, em simplicidade e transparente sinceridade.
E é por isso que gosto tanto dessa mulher, menina, que no mesmo instante que me parece pequena, frágil e até verde ainda, me surpreende com uma maturidade, uma força e uma grandeza que chega a assustar.
E agora, passado tanto tempo, tantas brigas e conflitos, eu consigo te dizer menina: eu te amo, te amo, te amo.



Raquel Alves.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um dia desses


Sabe aqueles dias em que você acorda meio sem querer acordar e ter que dar bom dia, ser gentil, sorrir, conversar ou simplesmente lembrar que tem mais alguém no mundo além de si mesma, o que já é um saco?! Pois é; eu gostava de acordar assim até pouco tempo atrás (morava sozinha), até porque quando isso acontecia, eu não tinha mesmo que fazer nada disso, nem sequer olhar pra cara de ninguém que não fosse o meu gato. Acordava, virava de um lado para o outro na cama (que era um colchonete desses com pontos magnéticos e se parecem com embalagem de ovos, uma delícia por sinal), olhava pro Chico, que quase sempre estava deitado na mala que ficava ao lado da cama; mala essa que agora só serve para guardar coisas que não uso mais e que ainda não me desfiz não sei o motivo. Depois rolava mais um pouco e ficava os famosos 5 minutos até tomar coragem para levantar.
Normalmente, quando acordava assim nem à padaria eu ia e, se não havia comida em casa, o que era difícil porque fruta pelo menos tinha sempre, tomava água até criar coragem e vergonha na cara pra descer e comprar um pão de queijo com Coca- Cola no Janaína que fosse.
Mas o que eu gostava mesmo de fazer desses dias era colocar meus CDs favoritos e se fosse o caso, repetir a mesma música até ter a impressão de tê-la absorvido (ou ela a mim). Colocava o cd pra tocar, pegava um bloco qualquer de anotações (tenho vários porque sempre que saio e esqueço um, tenho q comprar outro pra rabiscar qualquer coisa na rua – loucura) e começava a escrever coisas vagas; idéias soltas, nada de muita relevância, mas que para mim, naquelas horas eram a minha melhor companhia – por opção, é claro. Enquanto eu escrevia ou desenhava, meu gato me observava entre grunhidos e cochilos. Às vezes enquanto ele dormia, eu fazia esboços de seu rostinho todo cinza de nariz avermelhado e olhos amarelos que me fazem tanta falta.
Era nesses dias em que eu podia ficar mais comigo mesma, me conheci melhor e soube a ótima companhia que posso ser. Antigamente eu ia ao cinema sozinha por falta de opção ou porque não queria comentários no meio do filme. Mas foi nessa época de acordar comigo e ficar sozinha um dia inteiro que percebi que ir ao cinema sozinha é mais que falta de companhia; é uma forma de você escutar as suas próprias opiniões, sem se deixar levar por outras. Eu me sentia tão bem comigo mesma nessa época que comecei até a freqüentar bares sozinha. É uma boa porque você só paga o que bebe, bebe o quanto quiser, chega e sai quando quer, pode ficar horas rabiscando num bloquinho coisas que ninguém vai perguntar o que são (e se perguntarem você pode - sem constrangimento nenhum – responder ou não), não tem que rir do que não tem graça só pra ser sociável e não ouve conversa chata diretamente com você. Ah! E observa e é observada!
Mas, voltando ao “dia do saco cheio”, outra coisa que gostava muito de fazer era tomar um banho quase eterno. Ligava o chuveiro e esquecia o mundo. E como eu gostava daquele chuveiro! Acho que depois do meu colchão, o chuveiro era a coisa que eu mais gostava naquela casa. Mesmo porque não tinha muita coisa por lá. Tinha a televisão que foi chamada uma vez de MP4, mas eu estava contente, já que ela só me servia para suportar meus livros, CDs e um búzio que trouxe da praia certa vez.
Mas enfim, esses dias, assim como os em que tinha vontade de acordar e sair gritando com o peito até dolorido de tanta felicidade, passaram e alguns ficaram registrados nos meus blocos, outros na cabeça e ouros, nem sei se existiram mesmo. O que me lembro é que a maioria desses dias eram nublados.
E eu, assim como o tempo sou um pouco oscilante. Quando há sol, parece que os raios refletem e mim e me sinto ensolarada e nos dias fechados parece que absorvo a densidade das nuvens e me nublo também. Assim estou hoje, por isso este texto um tanto quanto melancólico.


Até um outro dia; quem sabe ensolarado?!





Raquel Alves.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Tempos Chuvosos


Ela, Ele. Ela vinha de um final chuvoso de relação; Ele ainda chovia por outra. Até que em uma noite também chuvosa de outubro, Eles. Ela viu, ao olhar bem no olho esquerdo dele, a possibilidade de pelo menos por algumas horas, a sua chuva parar um pouco. E assim o foi. Entre palavras, carinhos e risadas, tudo ficou bem naquela noite.
Ela, na manhã seguinte, se sentia melhor, mas ainda nublada. Ele, não se sabe. A essa altura eram dois estranhos querendo passar o tempo juntos e esquecer um pouco o mundo. Ela tinha dito a si mesma que Ele não seria o veículo para sua saída da chuva. Ele contava a sua tempestade amorosa anterior a Ela, que ouvia amigavelmente. Passavam tardes juntos e Ela gostava de ouvi-lo.
O tempo passou e o que começou como um passatempo para Ela foi se transformando quase que em uma necessidade quando se deu conta. Ele já se demorava mais a aparecer, como se a companhia dela já não fizesse tanta diferença como no começo. Ela estranhava a ausência, mas não dizia nada com medo do que poderia estar sentindo, afinal, só queria passar o tempo acompanhada por alguém que não o seu gato.
Agora, Ele, distância; Ela angústia. Não queria se afastar, mas tinha medo de espantá-lo se o procurasse, como em sua tormenta anterior. Ele, não se sabe o motivo do sumiço. Eis que tempos depois Ela viaja. Saindo de casa, Eles se esbarram na rua e Ele pede que Ela o telefone na volta. Depois de dias de viagem, um breve encontro entre Ela e um outro. Voltando da viagem Ela telefonou para Ele como pedido. De imediato uma surpresa, que no fundo, Ela já esperava. Ele havia saído da tempestade encontrando sol em outra. Ela tentou manter-se calma, afinal, como já foi dito, eram apenas distração um para o outro.
Voltou então Ela à sua vidinha tranqüila de antes com o seu gato cor de chuva, de nome Chico Sims. Nome em homenagem ao poeta, e sobrenome escolhido por Ele, como uma forma de marcar presença.
Algum tempo passado ao término, e isso Ela não esperava, Ele telefona pedindo perdão. Ela, claro, o perdoou, mesmo não vendo necessidade depois de passado tanto tempo. Ele, ao encontrar a outra, não contou nada a Ela, decidiu assim e foi embora. E Ela, como das outras vezes, resignou-se, sem culpá-lo de nada nunca. Ela não foi obrigada naquela noite de outubro a passar o tempo com ele e, tampouco os dias subseqüentes.
Mais um tempo depois houve uma tentativa frustrada de reaproximação por parte dos dois, mas é sabido que com certas coisas devemos tomar muito cuidado ou acabam se estragando e desmanchando. Passado um ano desde aquela noite de outubro, Eles, cada um em seu mundo novamente. Ele, no seu intelectualismo, mas segundo o próprio, numa fase mais simples. E Ela também modificada, na sua simplicidade cretina, começou a registrar seus sentimentos em textos como este e outros tantos que virão.
Ah! E quanto às chuvas? Ela agora vive em tempos mais brandos e secos. Dele não se sabe.

Raquel Alves.